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Corpos do homem e planos do universo

Como assim, "corpos" do homem? Não temos um só corpo?
Na verdade, temos vários corpos, de diferentes naturezas, substâncias e níveis de sutileza. O que normalmente chamamos corpo é apenas o envoltório mais grosseiro, de natureza física, constituído por substâncias materiais.
Ele se manifesta na 3ª dimensão. Além desse corpo visível, possuímos outros, invisíveis, de diferentes "materiais" e que têm a mesma forma do corpo físico. Cada qual está numa dimensão diferente (4ª, 5ª, 6ª e 7ª dimensão) e cada um tem sua função específica.

Os corpos do homem

Em cada plano ou dimensão do Universo precisamos de um corpo ou veículo da mesma natureza ou substância para atuar nele. Assim, para atuar no plano físico precisamos de um corpo físico, no plano emocional necessitamos de um veículo emocional e assim sucessivamente. De fato, se só tivéssemos corpo mental, não conseguiríamos, por exemplo, tocar ou mover um objeto material. Isso nos faz pensar, não é mesmo? Seria muito limitado de nossa parte se não admitíssemos a existência de universos paralelos, em outras dimensões, habitados por seres que possuam apenas corpos mentais, emocionais, intuicionais, ou outros de energia pura.
Toda a evolução se dá em ondas, vibrando alternadamente para cima e para baixo. Por força do impulso de evolução, precisamos descer até o plano mais denso e recomeçar a nossa ascensão. O Kulárnava Tantra, uma escritura hindu de mais de mil anos, nos esclarece: "Quando caímos no chão, levantamo-nos com o auxílio do chão." Ou seja, quando encarnamos, conseguiremos levantar, subir, evoluir, com o auxílio do próprio chão, isto é, do corpo, da matéria. Tal conceito faz do Tantra a única filosofia que propõe a possibilidade de evolução interior a partir da sensorialidade.
No plano físico atuamos com um corpo físico denso, formado de carne e ossos. Com ele podemos agir e influir no mundo material. Para esse corpo, formado de substâncias grosseiras (minerais, carbono e água) precisamos de uma contraparte energética que proporcione vida e energia a esse conglomerado de moléculas materiais. Para isso, existe o corpo físico energético que ocupa o mesmo lugar no espaço e tem a função de transmitir vitalidade ao corpo denso. Por isso é também denominado corpo vital, corpo pránico, corpo etérico ou duplo etérico. A nomenclatura varia conforme a escola filosófica. É deste corpo que se forma o ectoplasma, mencionado no espiritismo.
Numa oitava acima do corpo físico energético possuímos um corpo emocional, também chamado corpo astral ou corpo de desejos, destinado a atuar no plano emocional ou quarta dimensão. Como o seu nome sugere, é onde se processam as emoções.
Subindo mais na escala de sutilização, na próxima dimensão encontramos os corpos mental inferior (ou concreto) e superior (ou abstrato). Embora ambos se encontrem no nível que a nomenclatura ocidental convencionou chamar de mental, exercem atribuições bem diferentes. O mental concreto é a ferramenta utilizada para a visualização de imagens, sons, funções matemáticas e outras tarefas denominadas concretas e consideradas inferiores no âmbito da mente. É o aparato que permite ao homem desenvolver a tecnologia. Já o mental abstrato ou superior possui atributos subjetivos, tais como conceber nobres ideais ou elaborar complexas abstrações filosóficas. Ainda é muito pouco utilizado pelo Ser Humano.
Em seguida vem o veículo intuicional, ou buddhi. É nele que se processa a meditação (ou intuição linear), um fenômeno de consciência expandida ao nível da superconsciência. Nesse patamar ocorrem os fenômenos de conhecimento direto, sem a interferência do intelecto, da lógica ou da razão.
Finalmente, chegamos ao ápice da evolução humana, a Mônada, unidade indivisível, cerne da individualidade. Da Mônada provêm a vida em estado essencial e a consciência pura. Essa consciência e essa força vão descendo de um veículo mais sutil ao imediatamente mais denso e assim sucessivamente até chegar ao plano material que é o mais denso de todos, onde se situa o corpo físico.

Os corpos ocupam o mesmo lugar no espaço

São chamados corpos também por estarem uns "dentro" dos outros e ocuparem o mesmo lugar no espaço, logo, têm o mesmo formato do corpo físico, embora possam extrapolá-lo em alguns milímetros. Ocupam o mesmo lugar por serem de dimensões diferentes.
Para compreender isso melhor, imagine que temos um balde cheio de pedras. Esse é o nosso corpo físico denso. Não cabe mais nenhuma pedra. O espaço está preenchido. No entanto, ainda cabe cascalho, que vai se ajeitando nos interstícios entre uma pedra e outra. Esse é o nosso corpo energético. Também é pedra, só que mais sutil. Preenchemos os espaços até não caber mais nenhuma brita. O recipiente está plenamente preenchido. Mas ainda cabe areia. Embora não coubesse mais nenhum cascalho, temos condições de colocar uma boa quantidade de areia, porque ela é mais fina, mais sutil. Esse é o nosso corpo emocional. Agora, o recipiente está mesmo preenchido. Não cabe mais nada. Porém, conseguimos adicionar água, extremamente mais sutil que a areia. Ainda cabe muita água. Esse é o nosso corpo mental. Finalmente, não cabe mesmo mais nada. No entanto, é possível inserir ar e gaseificar a água. Esse é o nosso corpo intuicional. Parece que agora não conseguiremos mesmo introduzir coisa alguma a mais. Não obstante, podemos aplicar magnetismo, ou eletricidade, ou calor, ou radioatividade. Essa é a Mônada.
Aí estão os quatro elementos: terra, água, ar e fogo. E é o fogo da Mônada que vivifica todas as dimensões abaixo dela.

Como a energia flui de uma dimensão para outra

Para quem está travando contato pela primeira vez com estes conceitos, vamos explanar de outra maneira. Todo o mundo reconhece que possuímos o corpo físico denso, pois ele está aqui, podemos vê-lo e tocá-lo. Mas também podemos facilmente reconhecer que seria inerte se não houvesse dentro dele uma energia, prána, que ocupa a mesma extensão e formato do corpo físico denso. Cada órgão físico denso possui uma contraparte física energética. Assim, temos um coração material e nele um outro coração formado só por energia vital; possuímos um fígado e no mesmo lugar um outro órgão idêntico só que constituído exclusivamente de energia. Os órgãos energéticos têm a função de transmitir energia aos seus homônimos densos. Pois bem, o organismo formado por esse prána é denominado corpo energético, ou pránico, ou vital, porque é composto de energia e essa energia é de natureza física.
Também conseguimos compreender que todos temos uma emoção. O conjunto do mecanismo emocional é denominado corpo emocional. Admitimos que temos uma mente. É o corpo mental. Outrora, pensava-se que a mente ficasse restrita ao cérebro. Hoje, sabe-se que a mente humana está em toda parte em que houver uma célula viva do seu organismo e até além dele.
O que vem depois do corpo mental muita gente já experimentou. Trata-se da intuição. Existe um nível de sutileza denominado plano intuicional. Atuamos nele com um organismo construído dessa mesma substância, formando o corpo intuicional.
Já a Mônada não é um corpo. É algo de difícil definição. No Vêdánta é denominada Átma, que se traduz como alma ou espírito. No Sámkhya, conhecemo-la pelo nome de Púrusha, cuja tradução é Homem, Ser Humano. Outras escolas batizaram-na de Self, Si Mesmo, o Ser, Chispa Divina, Chispa de Vida, Partícula do Absoluto, etc. Aplicam-se diferentes nomenclaturas porque muitas são as correntes filosóficas, muitas são as culturas, muitas são as épocas. Cada qual tenta explicar esse princípio com as suas palavras e com as suas comparações.

Panenteísmo

Uma das metáforas para representar este ensinamento é a de um imenso espelho refletindo o Sol. Em seguida, imagine que esse espelho se partiu em inumeráveis pedaços. No entanto, o Sol cabe inteiro em cada fragmento do espelho. Os pedacinhos do espelho seriam a Mônada, que contém o Absoluto inteiro dentro de si, o mesmo Absoluto que também está dentro de todos os demais seres. Esse conceito chama-se panenteísmo, ou seja, entende que o Absoluto está em todos e, por extensão, está em tudo.
Há uma outra comparação que pode nos ajudar a compreender que nossos corpos são apenas invólucros, os quais possuem dentro de si a mesma força imanente que habita em tudo. Imagine uma quantidade de garrafas cheias de água do mar, existindo lado a lado dentro do oceano. A água que está dentro é a mesma que está do lado de fora, em todo esse imenso universo de água. E a água que está dentro de uma é a mesma que está dentro da outra. No entanto, as garrafas arrolhadas pensam que a porção que têm em seu interior é distinta do resto do universo. Algumas dessas garrafas conseguem desarrolhar-se e, então, dão-se conta de que a água que está dentro é a mesma que está do lado de fora e que o universo flui para dentro e para fora sem obstáculos nem impedimentos. Conscientizam-se de que não estão separadas umas das outras, mas que estão todas ligadas e em comunicação entre si pelo fluido cósmico. As garrafas são os seres humanos. A rolha é a personalidade. A água é o Absoluto. O ato de tirar a rolha é o Yôga em seus estágios finais.

Os sete planos do Universo

O Universo pode ser explicado sob várias óticas e continua sendo o mesmo Universo. Podemos estudá-lo à luz do Vêdánta, do Sámkhya ou de qualquer outra filosofia e ele continuará sendo o mesmo, observado sob diferentes pontos de vista. A estrutura didática que vamos apresentar neste livro é mais simples de se compreender.
No Universo há sete planos denominados, do mais denso para o mais sutil:

físico;
emocional;
mental;
intuicional;
monádico;
anupádaka;
ádi.

Nos dois últimos planos ou dimensões, o ser humano não se manifesta. Na qualidade humana, só chegamos até o plano monádico. Restam-nos, portanto, cinco dimensões nas quais nós atuamos.

As sete dimensões

O plano físico está na terceira dimensão (3D). O emocional, na quarta dimensão. O mental, na quinta. O intuicional, na sexta. E o monádico, na sétima dimensão. Este conceito é interessante para nos esclarecer como podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Também vai nos auxiliar a compreender porque é tão difícil para um espécimen humano, que esteja com a consciência no nível mental, conseguir compreender um outro que funcione no intuicional. Com isso, podemos apenas vislumbrar a distância abissal que há entre o estado de consciência de um yôgi que já tenha atingido o samádhi e um simples mortal que ainda precise de ferramentas mentais para expressar a consciência.

Níveis de consciência

Falemos, então, de patamares de consciência. Chamamos o plano físico de inconsciente, já que os objetos materiais não são conscientes. Subindo um degrau, denominamos o emocional de subconsciente, pois seu grau de lucidez ainda não está bem consciente. Um ser emocional ainda não é racional, nem lógico, sua consciência não está plena. Por isso, não se devem tomar decisões em estado de emocionalidade. Convencionamos o plano mental como o consciente, pois o ser humano diz que está consciente quando usa o mental, quando está acordado, quando não está em coma, etc. Nós, no Yôga, brincamos com as limitações da mente e dizemos que a humanidade está em estado comatoso, mas não sabe. O plano intuicional, como está acima do que consideramos consciente, é denominado superconsciente. E o plano monádico, o mais elevado que o ser humano experimenta, é chamado de hiperconsciente, um estado indescritível de megalucidez.

A consciência provém da Mônada

Embora tenhamos explanado na ordem de baixo para cima, por ser mais fácil para o leigo compreender, na verdade tudo começa lá nos planos mais sutis e vai descendo os níveis de densidade. A origem de tudo é a Mônada. Essa fonte eterna de força, vida e consciência terá que ir reverberando sua força, vida e consciência para o plano imediatamente abaixo do monádico, que vem a ser o plano intuicional, deste para o mental, deste para o emocional e deste para o físico. Uma energia absolutamente abstrata e subjetiva não teria como se insuflar e manifestar-se num plano tão concreto quanto o material, se não ocorresse essa retransmissão de um plano mais sutil para o imediatamente inferior, não tão sutil quanto o que lhe estivesse acima, mas nem tão denso e bruto quanto os que lhe estivessem abaixo.
Chegando o trinômio força, vida e consciência do Átma ou Púrusha, descendo de plano em plano até chegar ao corpo emocional, este passa dos chakras astrais para os chakras idênticos e homônimos que estão situados na mesma localização no corpo físico energético. O corpo energético é também chamado de duplo etérico por possuir um duplo de todos os órgãos físicos densos, só que formados por energia. Uma vez vitalizado através dos seus centros de força – os chakras – com a força que vem de cima, repassa ao veículo que lhe está abaixo, transmitindo a vitalidade do coração energético ao coração material; dos pulmões energéticos, aos pulmões materiais; do fígado energético, ao fígado material; e assim por diante.


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